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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Maldito


   A fofoca consiste no ato de fazer afirmações não baseadas em fatos concretos, especulando em relação à vida alheia.
                Em momentos fugazes da vida somos incapazes de sustentar uma conversa com aquele(a) a que estamos dirigindo nossa palavra e, assim, apelamos para a fofoca. Só que muitas vezes não nos damos conta que estamos falando de outras pessoas e que nossas palavras podem fazer um grande estrago.
                Fofocar é como confidenciar um "segredo descartável" - você fala o que sabe, ganha a confiança da pessoa que a ouviu e ainda, talvez, consiga outra de volta. Quer algo "melhor"?
              Sempre meçe suas palavras. Algumas vezes essas fofocas começam a ganhar vulto e espalham inverdades que não são saudáveis nem para aquele que fala, nem de quem estão a falar. Implantadas essas anedotas, muitas vezes somos privados do que seria a verdade e fazemos descaso do alvo delas.
                Além do mais, essas intrigas baseiam-se na vida de outras pessoas. Vamos cuidar dos nossos próprios narizes?!

sábado, 23 de abril de 2011

Pena de quem?

                        Chegando a Páscoa! O que vem à cabeça? Chocolate? Também. Mas é morte o que queria usar hoje nessa postagem. Não, eu não vou dar uma de chato e contar estorinhas de pessoas ressuscitando e que esse é o sentido da Páscoa. Na verdade a postagem não tem relação com Páscoa (Bom, não sei por que comecei assim então...). Eu vou ser um chato que fala de outras coisas.
                          Neste mês de Abril aconteceu o tiroteio em Realengo. Todos devem estar de saco cheio de ler sobre isso, mas só usarei p'ra ilustrar (mais uma vez). As 11-13 mortes (um jornal diz 11, outro 12, outro 13; então seja lá quantas forem...) que ocorreram naquela escola geraram um estrondoso sentimento de comoção por todo o país. Mas principalmente essas mortes...
                         Quantas pessoas morrem todos os dias por aí e ninguém dá a mínima? Sim, um lunático que mata várias pessoas em uma escola é um fato muito chocante, contudo quantas outras perecem de formas tão horríveis quanto mas não tem o mesmo sentimento de pesar envolvendo-as? Culpemos a mídia.
Comova-se ante o olhar do porquinho!
                         Mas aqueles que são realmente esquecidos são os outros animais (humanos são animais, ok?!). Por que poucos lamentam as mortes dos bichinhos que vão parar em abatedouros? Bem, não nos importamos com eles na verdade (de maneira geral - não estou falando de você). Eles são nossos hambúrgueres, nossos churrascos do final de semana, etc. Alguém já viu como eles morrem? Não - pelo menos não pessoalmente. Poucos veem. Ninguém sai te convidando para visitar esse tipo de local, certo?! "O que os olhos não veem, o coração não sente". É melhor não ficarmos sabendo mesmo: pelos menos não seremos atacados pela culpa. Mas, pelo menos, dê valor a esse sacrifício.
                         Até mesmo as plantas são mutiladas e não caímos em luto. Se elas sentem ou não algum tipo de sofrimento, não sei dizer - mas a morte é o final de um ciclo, é quando algo "acaba". Não há um motivo suficiente?! (Ok, não vá sair chorando pela sua plantinha que morreu!). Só sentimos esse pesar por aquilo que importa para nós. Que tal pararmos de limitá-lo somente para o círculo de pessoas próximas?!
                    Odeio finais, mas inevitavelmente eles acontecem (Sim, tudo tem fim, até mesmo Pokêmon terá!). Lamente-os, mas não deixe que consuma muito do teu tempo, pois o teu ainda não acabou. A morte leva todos, ninguém deve ter privilégios de luto.

sábado, 16 de abril de 2011

A chance do vira-lata


"Vende-se lindos filhotes de gatos persas e himalaias, vlr R$ 350,00"
"Lindo filhote de Shitzu M, 65 dias, 2 doses vac. importada/ choco, R$550..."

             Estava eu folheando a Zero Hora até que cai em minhas mãos o ZH Classificados Produtos e Serviços. Deparei-me com muitos anúncios parecidos com os que transcrevi acima. E parei para contar: dos 107 classificados de animais domésticos, apenas dois (2) tencionavam doar seus bichinhos. Preços "módicos" - vi até cães com valor na casa dos milhares - e animais de raça predominavam. Quantos vira-latas? Nenhum.
            Estão fazendo um mercado onde os bichos são meras fontes financeiras! Multiplicando-os, fazendo 'cópias' dos pais para obter lucro! Os pais dos filhotinhos servindo como fábricas auto-reguladas, trabalhando e fornecendo o produto para que o chefe obtenha o dinheiro!
           Contudo, se você for na rua, haverá grandes chances de você encontrar um cão ou um gato abandonado (ou seja lá que outro bicho). Animais jogados pelo destino à sorte, lutando pela sobrevivência e acometidos por diversos problemas: enfermidades, fome, sede, ferimentos...
          Quando você estiver com tanto desejo de conseguir um companheiro animal, seja lá por qual motivo, pense nesses pobres bichinhos que estão na rua precisando de afeto. Não compre animais que tem raça: esses tem mais chances de ter estabilidade na vida, muito provavelmente terão um dono. Doe-se para aqueles que precisam e eles retribuirão o seu voto de confiança com gratidão.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Comprovante de ignorância


SADKHSAFKSAJDK AMOVCPRASEMPRE SUA PUTA ARREGAÇADA COMIDA PELO CACHORRO (LLLLLLLLLLLLLLLLL)³¹³²³¹²³²¹ PRACARALEOW
;@@@@@@@@@@~~~~~

Outro dialeto, problema mental ou analfabetismo mesmo?
                                                                         Descrição da comunidade Não escrevo como retardado

                       O que acontece na internet é algo misterioso. Pessoas utilizam um método de escrita incomum - p'ra não dizer ridículo - enquanto navegam pela rede: o conhecido internetês. Indivíduos que passaram uma boa quantidade de tempo aprendendo a escrever e a aprimorar seus conhecimentos da língua p'ra quê?! P'ra escrever:
                     - Vou i corre amanham nu parkaum.
                     - Ti AmU mIgUxA, vOcÊ é BéSt!
                     - Num vo, mais axu que eles passão aí. V6 c enkontrão pur lá entom

                       Dammit! É IR CORRER AMANHÃ!!! O que pensar então do "nu"?! Uns espertinhos se acham o máximo porque conseguem inventar formas de diminuir o texto ao máximo, mas decifrar é uma missão que requer no mínimo duas leituras p'ra realmente compreender a mensagem. O que era p'ra ser mais rápido torna-se ainda mais lento.
                       Chega a me enojar a segunda frase! Além de destruir totalmente o português, detona ainda o inglês! Maior poluição visual não existe. Será que é alguma forma de hipnose ficar subindo e descendo os olhos de letra em letra?! E o colorido - a não ser que você seja uma criança ou um fã merda de Restart, evite. E para aquele que escreveu/escreve essa frase eu digo: você é besta!!!
Erro (não tão) comum.
                       Eu como estudante de linguística não devia ter preconceito com essa linguagem: a linguística é regida pela ideia de que qualquer forma de expressão que é empregada por mais de um falante e que é compreensível para os mesmos deve ser encarada como linguagem, e, por tanto não deve ser rejeitada. Mas sejamos razoáveis: muitos estudaram (ou "estudaram") anos à fio - perdoados aqueles que não frequentaram a escola. Se esquecer que letra se usa em uma palavra estranha é normal - já essas bizarrices são forçadas!  Após um bom tempo sem uso, podemos dizer que não sabemos escrever mesmo, é o que acontece quando não exercitamos nossas habilidades. Porém os inventores desse dialeto são jovens! É a tua língua, fala direito, pô! Isso só atesta a ignorância! (Leia-se ignorância aquele que ignora - no caso, as regras de gramática).

sábado, 19 de março de 2011

Destilando a maldade das palavras

                     Vocês já se deram conta dos palavrões que empregamos para ofender as pessoas? Cadela, porco, vaca, galinha, cavalo, porra, caralho, merda...

                Usar nomes de animais como se fossem palavras ofensivas não acho que sejam ofensas - acho que é até ofensa para os animais. Tu é porco porque tu é sujo? Nem todos os porcos são sujos - vejam Baby, o porquinho atrapalhado! Descrever uma pessoa por animais considero baixeza, sinal de que a pessoa não tem criatividade suficiente para ferir o ego da outra. Chame-a de suja então. Não faça rodeios!

                  Outro tipo de ofensa é usar palavras que denotam partes do corpo ou de coisas que saem do corpo. Nossa, que mentalidade! Chamar uma pessoa de esperma ou de cocô é tão ofensivo assim?!(Obviamente não é um elogio)

                 Vou pressupor que as culturas do passado é que as tornaram "palavras feias". Antigamente sexo era tabu, animais eram vistos com inferioridade e se um milimetro do teu corpo estivesse descoberto, então!? Nós estamos no século 21, temos que abrir mão dessa visão pré-histórica!

                 Palavrões são até saudáveis: são nesses momentos que desabamos todas nossos desejos verdadeiros e somos sinceros, falando com vontade o que pensamos.

                 Acho que virou automático ouvir certas palavras e criar aquele alarde mental, mas nunca pensamos se realmente fomos ofendidos. Quem faz o palavrão funcionar é a pessoa que a escuta, não quem a profere.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Escolha teu jeito de amar



          Dia dos namorados! (Não aqui no Brasil, mas não quer dizer que não seja). No Lockerz estavam fazendo uma enquete: Flores, bombons ou ouro?
Daily question do Lockerz


               Minha interpretação: Gesto simples de amor, prazer momentâneo ou interesse material?
               Mas o legal é que, pelo menos, a maioria dos votos não foi para o ouro e sim para os bombons. (Quanta nobreza dessas pessoas que responderam! Espero que tenham pelo menos sido sinceros...)
               Esses tipos de data são como lembretes de que devemos transmitir nossa consideração para aqueles que gostamos. Mas não seria um gesto mais sincero se doássemos nossos votos de companheirismo em um dia qualquer? Em um dia em que realmente estejamos dispostos a querer mostrar que nos importamos? Obviamente é um pretexto para as lojinhas encherem seus cofrinhos, mas faça valer sua vontade, não a deles. Receber um presente quando menos se espera é algo de sentimento raro, por mais simples que esse presente seja. Mostra que veio de coração.
                Por que escolhi dizer que bombons são como um prazer momentâneo? A ideia é simples: consumo e descarte(tanto da embalagem, quanto do doce). No final o produto é uma merda (literalmente). Atualmente, tempo é algo escasso e tudo tem que ser o mais rápido possível. As pessoas tornaram-se  mais impacientes e se adaptaram a isso, catando "tudo que cai na rede". Esses não sabem o que é selar um pacto de amor. O tempo tornou-se um "romanticida". The lovers are losing. (como diz Keane)
                 Não deixe o tempo ditar sua vida. Não espere por um momento para se importar com alguém.
"(...)Me leve pra casa ou me deixe sozinho
Meu amor no coração escuro da noite
Perdi o caminho à minha frente
Aquele atrás de mim me guiará
(...)
Reviva o velho pecado de Adão e Eva

De você e eu
Perdoe o monstro adorador

Me faça voltar até a infância
Mostre-me a mim mesmo sem a concha
Como a chegada de Maio
Eu estarei lá quando você disser
Hora de nunca segurar nosso amor

Minha queda será por você
Meu amor estará em você
"
                                                                        Ghost Love Score - Nightwish

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Uma coisa é querer, outra é realizar


         "Inveja não é querer o que o outro tem - isso é cobiça - mas querer que ele não tenha: é essa a grande tragédia do invejoso"
Divaguem ...
     

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Saudade daquela amizade

A ausência da presença, machuca e fere o coração.
Cicatrizes que se abrem facilmente,
mas que se fecham com a recordação.

Nunca esperamos um adeus,
e mesmo que venhamos a dizer ou ouvi-lo,
que não produza em nós, um sentimento de perda total, falta de força ou coragem.
Pois esta é uma fraqueza humana ingrata, inata.

A verdadeira saudade é sentida por pessoas que se amam
e se prezam e que neste maravilhoso vinculo de união,
expressam constantemente sua presença.
Alegram-se com as suas realizações e sucessos.
Preocupam-se com suas derrotas e desilusões.

Mesmo que seja sentida dolorosamente,
esta perda de convívio é superada pela alegria das lembranças,
que estarão cada vez mais vivas em nossas mentes,
e marcadas com carinho em nossos corações.

Apesar da imensa solidão que sentimos no íntimo,
uniremos forças para estarmos sempre felizes, pois,
sem dúvidas, estaremos sendo lembrados pelas mesmas
pessoas em que estamos pensando neste exato momento,
Com as mesmas preocupações, alegrias e saudade...

                                                                      Neviton M. Barbosa

               
             A amizade é um dos sentimentos mais bonitos que existe. É o vínculo formado por duas pessoas que compartilham, talvez, opiniões parecidas, gostos semelhantes, experiências em comum. É ter preocupação pelos problemas do seu amigo e felicidade pelo seu sucesso.
            Porém ela possui um inimigo à altura: a falta de convivência. O que tinham em comum pode não mais ser um suporte suficiente para manter seus laços afetivos. As pessoas mudam.
            Reconheço que perdi muitos amigos, algumas vezes por divergência de gostos (não ia com a cara dos seus novos 'amiguinhos'), isolamento geográfico (distância física, nada relacionado com Evolução), problemas com horários e por conta de novas atitudes que acabei desaprovando. Só posso dizer que sobrou em mim muita saudade, pois não se encontra mais amigos como aqueles. (Pois nesses tive muito mais tempo para aproveitar; não que os novos não possam ser tão bons quanto: na verdade conheci muitas pessoas interessantes)
            Tenho a impressão que todos me acham antipático - não os culpo pois sou fechado mesmo (Na verdade tornei-me fechado). Eu não tento conquistar a confiança dos outros, se acontece, é natural. Não recebo  visitas em casa - na verdade, se quero que alguém me visite, tenho que convidar e, mesmo assim, não há garantia de resposta. Dediquei todo meu tempo para garantir meu futuro e só pude cultivar amizades com aqueles que trilhavam o mesmo caminho. Aos outros peço apenas desculpas; reconstruir os momentos, só na nostalgia, porque criar novos... vejo que não será possível. Queria não ficar só na saudade,  montar novas lembranças apartir de novos bons momentos para apenas lembrar, sem ansiar ardorosamente para que algo aconteça alguma vez mais. Saudade é sentir falta de alguém, e, para isso, ela deve estar ausente. Cura mais simples é manter aqueles que se estima junto a nós.
Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
                                                                        Clarice Lispector
            A amizade é como um castelinho de areia: deve ser construído com muito cuidado e paciência, na medida certa. O processo é demorado e soa que nunca vai ter fim, e sem perceber, com muita facilidade uma onda pode destruí-lo. Só resistirá os castelinhos que forem bem construídos pelas mãos dos dois. Mas mesmo assim, nada impede que um dos arquitetos venha um dia e destrua sua criação.

sábado, 20 de novembro de 2010

Harmonia


       Música que é música tem que ter um toque atraente, ter algo no seu chame a atenção. Música é uma sequência harmoniosa de sons onde não há destaque entre os instrumentos. Não que eu despreze um bom solo, mas que todos eles tenham participação importante na composição da melodia. Música perfeita é aquela que transmite pelos sons exatamente o que a letra propõe: nostalgia, alegria, tristeza, não importa, simplesmente apoia a mensagem que a letra quer passar.

Não tire a alma do corpo - nem a sua, nem a do seu próximo

     Dia desses 'tava voltando de trem pra casa, fiquei n'um cantinho discreto do veículo até que entra um casal: suas mãos se enlaçavam n'um abraço vigoroso, suas ventosas se encontraram e saiu aquele beijo desentupidor que só faltava arrancar a alma um do outro, liberando ruídos desagradáveis de se ouvir. Desejei que o 'cantinho' fosse um pouco maior, pois quase fui esmagado contra a parede pelo casal na sua discreta troca de carinho.
        Que chato deve ser tu estar em um lugar e alguém fazer algo que destrua a vibe harmoniosa do local, não? Pois é, discrição e bom-senso é o que falta a muitos. Isso não é exatamentte tratável: ou você é discreto... ou você é discreto! A única coisa que posso afirmar é: "Não transforme suas ações n'uma atividade coletiva: você será mal visto!". Alguém pode afirmar: "Eu faço o que eu quiser", "não devo nada à ninguém", entre outras variantes [Odeio esses revoltados, mas  devo pensar neles quando escrevo] Não disse que não deve fazer certas ações: na verdade até encorajo - sinal de que tu tem personalidade (ou, chulamente, tem culhão!) p'ra esbanjar. Mas, cada ação tem seu momento.
       Aposto que você não almoça sentado no vaso sanitário ou começa a contar piadas n'um velório - Porque não é exatamente o correto a se fazer nessas ocasiões. Isso é o bom-senso e, infelizmente, algumas pessoas são desprovidas disso.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Apoio ao mendigo chinês



    Em uma aula de geografia falávamos acerca de demografia, países populosos, povoados, etc... Em certo ponto, chegamos na China, país com mais de 1 bilhão de habitantes e que possui um grande crescimento no PIB, mas muita desigualdade social. Nesse momento, tentei imaginar um mendigo chinês: não consegui.
      Como é possível não poder imaginar algo que acontece a nossa volta (Ok, a China não é exatamente aqui) e, ainda por cima, todos os dias? Simples: nunca pensamos nos outros, nossos pensamentos estão voltados sempre à nós mesmos ou ao que nos mostram - às vezes nem assim vemos a realidade, pois só damos atenção àquilo que nos interessa. O mundo exije que nós lutemos por nosso espaço, alguns portando alguma vantagem; outros, apenas a vontade de vencer. Porém, batalhamos com tal afinco que não temos tempo de olhar p'ro lado, àqueles que precisam de ajuda. Por que não ajudamos?!


      Agora talvez seja o que acontece com a maioria quando veem alguém pedindo esmolas "Como é que vou ajudar essa pessoa?". Sempre fica essa dúvida. Dói no coração não poder realmente fazer algo para auxiliar essas pessoas: nossa ajuda não vai ser a salvação dos problemas desse indivíduo, mas elas dependem de nossas contribuições para seguirem vivendo. Certa vez me contaram: "Eu dei 1 real p'ra um mendigo comprar algo pr'a comer e, no fim, ele comprou uma pinga!". Tá, não foi muito sensato da parte do sem-teto ter feito essa ação, mas se tu quer que a pessoa coma, dá comida, não dinheiro! Alguns querem sentir-se bem com esses gestos, mas, ao mesmo tempo, querem ver seu dinheiro sendo utilizado de acordo com suas vontades.

      O sistema capitalista é o responsável por esses episódios: ele é um sist
ema excludente que desenvolve-se através do sacrifício de alguns para que outros vivam bem. Nele há a eterna batalha por alguns pedaços de papel que determinam o nosso poder de aquisição - o dinheiro. Por ele, destruímos o espaço em que vivemos e aqueles que vivem ao redor.

      Os índios possuíam um sistema em que eram delegadas as atividades entre os habitantes de uma tribo dependendo do seu gênero: os homens eram responsáveis pela caça e pesca, enquanto as mulheres tinham como obrigações cuidar das crianças e fazer a coleta de alimentos. Essas funções eram desempenhadas quando preciso, não havendo estoques desnecessários de comida - diferente dos povos ditos 'civilizados', dos quais abusam dos recursos fornecidos pela natureza. O que conseguiam recolher do ambiente era distribuído para os habitantes da tribo: para todos. Os 'selvagens' são aqueles que possuem os corações mais puros, são aqueles que sabem realmente viver em grupos.

      Tornar a se importar com o seu próximo é a melhor solução p'ra esse impasse. Daí, talvez, eu não precise imaginar como é um mendigo chinês.